Roubo cresce e preocupa o setor

 

Do total de 371 mil toneladas de cobre produzidas no ano passado, 454 toneladas desapareceram nas mãos de quadrilhas. Só nos primeiros nove meses deste ano, o prejuízo somou R$ 8,7 milhões, referente a 465,7 toneladas, contra R$ 6,2 milhões no mesmo período do ano passado. Enquanto o crescimento estimado da produção é de 2,3% a 2,5% para 2012 sobre o ano anterior, os prejuízos com os roubos subiram mais de 13%.

 

A principal fragilidade do setor está nos assaltos em estradas. Nem mesmo investimentos em logística, com equipamentos de controle e escoltas, têm diminuído o número de ocorrências, que somaram 54 em todo o país só nos primeiros nove meses deste ano. Para o setor, a venda dos produtos roubados é facilitada pela falta de controle sobre as sucatas, inclusive por parte das empresas de telecomunicações, grandes descartadoras desse material por meio de leilões.

 

Os números são do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), que reúne os 61 principais fabricantes do mercado. 'Há quadrilhas especializadas no furto de fios e cabos e também em cargas. O que as nossas indústrias fizeram e estão fazendo é aumentar a segurança no transporte de carga, através de escolta. Inteligência na área de logística para tentar driblar essas quadrilhas usando tecnologia de última geração também foi outra estratégia para coibir esse tipo de ação', diz Valdemir Romero, diretor-executivo do Sindicel.

 

Os números, porém, revelam que essas armas não têm sido suficientes para redução dos prejuízos. O levantamento do sindicato mostra um aumento gradativo nos furtos. Em 2010, foram registradas 42 ocorrências e o volume roubado foi de 425,5 toneladas. No ano passado foram verificadas 49 ocorrências referentes a um volume furtado de 454 toneladas. Entre janeiro e setembro deste ano, o volume superou o total de 2011, com 465,7 toneladas roubadas e 54 ocorrências registradas. 'O maior volume roubado está sempre em trânsito, ou seja, são os roubos de cargas', diz.

 

De acordo com Romero, o roubo do produto tem um endereço certo de entrega. 'Será transformado em sucata e vendido como sucata. A partir daí o produto não tem mais DNA, tornando impossível qualquer tipo de identificação', afirma.

 

O setor tem reivindicado junto ao governo um aumento da fiscalização e controle da origem da sucata. 'Temos tentado sensibilizar o governo dessa forma. Chamamos a atenção das empresas de infraestrutura, sejam operadoras de telecomunicações, sejam concessionárias de energia elétrica, para que não façam leilões das suas sucatas', diz.

 

Essas empresas são grandes compradoras de condutores elétricos que utilizam o cobre, e as manutenções preventivas e obrigatórias realizadas por essas companhias geram um enorme volume de sucata, que pelo alto valor comercial acabam no leilão. 'Um comerciante que não seja idôneo, com uma nota fiscal de um desses leilões, esquentará um volume grande de sucata', afirma.

 

A Paranapanema S.A. faz parte da lista de empresas que contabilizam um alto índice de roubo. Depois de passar dois anos com raros furtos, a companhia voltou a ter um crescimento expressivo em 2012. 'Em 2010 registramos cinco roubos e no ano seguinte apenas três. Entre janeiro e julho deste ano, no entanto, foram 13 roubos', informa Edson Monteiro, vice-presidente da companhia. Boa parte dos furtos, explica, ocorreram nas estradas dos Estados da Bahia e do Rio de Janeiro. 'Esporadicamente registramos furtos em São Paulo, Espírito Santo, Minas e Paraná. Em todos os roubos, as cargas se destinavam ao centro de distribuição ou ao nosso cliente', diz.

 

De acordo com o executivo, cada uma das cargas está avaliada em cerca de R$ 500 mil e o volume transportado oscila entre 25 e 30 toneladas distribuídos entre matéria-prima, fios e vergalhões.

 

'Temos gerenciamento de risco. O que nos pega é o susto pelo roubo, mas acionamos o nosso sistema de prevenção de risco, através de empresas especializadas de gerenciamento desse negócio, e quando a carga não é recuperada lançamos mão do seguro', acrescenta. O seguro, no entanto, gera um custo adicional à empresa na prevenção de risco.

 

'O prejuízo que temos é o aumento de sinistralidade onde o nosso prêmio de seguro para transporte de carga fica mais elevado', relata. Monteiro diz não saber o paradeiro da carga quando não é encontrada, mas arrisca um palpite. 'Os sucateiros trabalham na informalidade e isso favorece os furtos', diz. A empresa é a maior produtora não integrada de cobre refinado do Brasil.

 

Os furtos não se concentram nas cargas. Cidades como São Paulo já vêm trocando o fio de cobre pelos bimetálicos - mistura de cobre e aço - que custam menos, por isso são menos atrativos. A Prefeitura da capital paulista estabeleceu uma parceria com a polícia que vem intensificando as ações nos últimos anos. Segundo a Prefeitura, desde 2007 houve uma queda de fios furtados de 150 quilômetros por mês para 40 quilômetros.

 

Data: 29.10.2012 - Fonte: Valor Econômico


Categoria: Notícia

Publicado em:

© 1996-2018 Grupo Forster - Todos os direitos reservados! - Administradora e Corretora de Seguros - é mais SEGURO na FORSTER.

by Redbit