Inflação médica: como entender o custo da saúde

13/06/2014 - O Estado de S.Paulo

 

A incompreensão sobre os custos assistenciais, que sofrem altas em torno de 15% ao ano e impactam os planos de saúde, ocorre porque muitos ignoram os fatores que desequilibram as contas do setor. Entre 2007 e 2013, o IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, variou 44%.

Já a variação da despesa assistencial per capita, a chamada inflação médica, acumulou 101% no mesmo período, e a correção autorizada pela ANS para planos individuais foi de apenas 61%, gerando passivo.


Disso, conclui-se que os reajustes aplicados às mensalidades nem sequer vêm cobrindo as despesas assistenciais. Cabe ressaltar que a in??lação médica sofre o impacto do aumento da frequência de uso da assistência médica, de uma acelerada incorporação de novas tecnologias e do desperdício na cadeia da saúde.


Mas o problema não é exclusivo ao Brasil. Nos EUA, entre 1980 e 2012, o índice inflacionário subiu 216%, e a despesa per capita com saúde saltou em 818%, segundo a Kaiser Family Foundation.


Esse quadro começou a mudar em 2011, quando, pela primeira vez em 32 anos, a taxa de in??lação anual foi maior que a variação dos gastos com saúde.
Em 2013, o crescimento dessa despesa ??icou estável, em 3% ao ano, mais próximo da in??lação. Tudo isso pode estar associado a uma reação da sociedade à crise de 2008 e ao efeito gradual da coparticipação dos cidadãos nos pagamentos de procedimentos médicos - fatores que levaram norte-americanos a rever padrões de consumo, tornando-se mais ativos na fiscalização dos gastos assistenciais, um exemplo positivo para brasileiros.


Outro aspecto é a longevidade.


Mais e mais pessoas farão uso da assistência médica. Além disso, grande parte da tecnologia hoje disponível na medicina não existia há cerca de 20 anos.
Inovações chegam caras ao mercado e se tornam rapidamente obsoletas, o que apressa as incorporações ao Rol e, com isso, o crescimento dos custos.
Assim, despesas em saúde, que serão sempre crescentes, acabam pesando além do necessário. A solução? Eliminar desperdícios por meio de regulação focada na transparência dos gastos um desafio premente, porque há muitos desvios neste campo.

 


Categoria: Notícia

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